

Hoje a IA é onipresente. O trabalho está ainda mais focado em velocidade e eficiência. A tecnologia evolui a um ritmo mais acelerado do que as pessoas dão conta de acompanhar. As equipes e orçamentos para a área de desenvolvimento humano estão encolhendo. Mas a sede de “mais” continua firme e forte: mais resultados, mais produtividade, mais ROI ― e para agora.
Com a ascensão das ferramentas de IA, estamos exigindo mais das mesmas pessoas, mas acompanhar esse ritmo está sendo um desafio para elas. Todo o foco está voltado para a implementação de ferramentas, com ênfase muito menor na capacitação dos usuários.
Esta é a realidade paradoxal que líderes de RH, aprendizagem e tecnologia estão vivendo: a empresa precisa demonstrar o retorno sobre os investimentos que faz em IA, mas esse ROI que se mostra aquém do esperado não é um problema da tecnologia, mas, sim, do despreparo das pessoas.

Na semana passada, David Blake, CEO da Degreed, subiu ao palco do LENS 2026 para batizar esse novo momento do trabalho altamente demandante como a Era da Intensificação.
Nessa nova era, o trabalho, a aprendizagem e o desenvolvimento de talentos precisam mudar. No LENS, especialistas do setor e clientes e líderes da Degreed abordaram essas mudanças e as formas de se adaptar a elas. Aqui vão alguns destaques do que foi discutido:
O mundo exige cada vez mais, e o ritmo das mudanças está acelerando. Ainda assim, a IA não está reduzindo a carga de trabalho humana. Ela está potencializando possibilidades e elevando os referenciais (e as expectativas) de desempenho.
Agora, espera-se que as pessoas produzam mais na mesma quantidade de tempo. Elas precisam aprender a usar a IA ― e usá-la bem, mas sem confiar demais na tecnologia. É uma pressão grande e intensa.
Em contrapartida, o mero acesso às ferramentas de IA não as torna automaticamente úteis. O verdadeiro ROI só aparece quando as pessoas aproveitam essas ferramentas e as integram a processos. E, depois do investimento gigantesco que as empresas fizeram em IA, é natural que as equipes de liderança esperem esse retorno mensurável.
“O CEO das empresas de vocês quer ver o retorno dos investimentos, e toda essa pressão e expectativa recaem sobre vocês”, afirma Blake.

A transformação não é opcional. A única questão é se ela será intencional e eficaz. Vale lembrar que só a tecnologia não dá conta de promover esse tipo de transformação. Sabemos disso porque a tecnologia já está disponível, mas o retorno ainda não veio. Apenas 25% das iniciativas de IA apresentam o ROI esperado, segundo a IBM.
Na Era da Intensificação, há também um medo persistente de que a IA acabará com o trabalho humano. Contudo, o recado que ficou do LENS é que há mais nuances nessa questão. Além de não ser capaz de substituir o trabalho humano, a IA jamais foi feita para isso. Segundo Sol Rashidi, a primeira diretora de IA do mundo, o objetivo da IA é “facilitar, acelerar, potencializar a magia que oferecemos à força de trabalho”.
Embora seja fácil babar pelo que a IA tem a oferecer, a tecnologia carece de pensamento crítico, inovação, liderança e bom senso. Qualquer pessoa pode acessar ferramentas de IA, mas só a sua empresa tem a força de trabalho com as características e o conjunto de habilidades que as fazem ser do jeito que é. Essa é a alma da sua empresa.
Ou como Rashidi lembrou aos participantes do LENS: “A tecnologia é fenomenal. Estamos mais incríveis. Não vamos deixar isso passar”.

Quando a mudança é contínua, o desenvolvimento não pode ser esporádico. Conteúdos estáticos não vão funcionar em um mundo cada vez mais responsivo e personalizado.
Durante sua apresentação sobre o Laboratório de IA da Degreed, Taylor Blake descreveu um possível modelo de desenvolvimento nativo de IA: “Minha proposta de modelo nativo de IA é mais ou menos assim: as experiências de aprendizagem estarão mais ligadas às especificidades de cada tarefa, serão mais personalizadas para o aprendiz e considerarão o contexto situacional ao máximo”.
Esse princípio também se aplica mais diretamente ao processo de criação e distribuição de conteúdos educativos. Segundo o Financial Times, o lançamento de programas tradicionais de aprendizagem pode demorar de três a seis meses, enquanto a IA pode mudar completamente nesse mesmo período. Por isso, embora as equipes de aprendizagem dominem a arte de criar conteúdos tradicionais e fazer a curadoria de conteúdos, essa nova era demanda algo mais dinâmico: uma mentalidade de produto que planeja um lançamento rápido e ajustes regulares.
A aprendizagem não pode mais ficar relegada a um ciclo anual de treinamentos.
“Vamos aprender continuamente ao longo do caminho”, aponta Zoe Botterill, chefe de T&D da Pearson.
Quando a pressão aumenta, a maioria das organizações apela para mais programas, mais ferramentas e mais iniciativas. Inclusive, a McKinsey descobriu que os colaboradores agora passam por 5x mais programas de mudanças do que há 10 anos. Contudo, a realidade é que 59% do valor das iniciativas de mudanças se esvai entre a ideia inicial e a execução dessas iniciativas. Isso explica, em parte, por que 89% dos líderes buscam uma mudança drástica na forma como suas organizações desenvolvem colaboradores. Eles entendem que esse é o cerne da agregação ou perda de valor quando o assunto são os investimentos em IA.
“Quando a pressão aumenta, a maioria das organizações reage adicionando algo. Eu desafio vocês, como profissionais de alto desempenho, a fazerem o contrário: parem e reflitam como é possível simplificar as coisas. Concentrem-se nas capacidades, nas habilidades e nos fluxos de trabalho”, aconselha Jennifer Sutherland, chefe global de viabilização da aprendizagem da ZS.
“Mais” nem sempre é “melhor”. Às vezes é até “pior”. No LENS, Rashidi disse que o grande objetivo não é ter mais produtividade, mas, sim, ter mais eficácia: “Precisamos ajudar nossas organizações a largarem a obsessão por produtividade e eficiência, porque essa mentalidade só mensura o que vem ‘a mais’. E se estivermos fazendo coisas erradas ‘a mais’?”
Por si só, a eficiência não está gerando os dividendos que muitos líderes imaginam. Na verdade, em algumas áreas, ela está enfraquecendo a estratégia geral.
“Eficiência não fortalece a força de trabalho”, pontua Blake. “Pare para pensar: se for possível automatizar alguma função, você provavelmente já a automatizou.”

Outro ponto fundamental da agilidade que tem ganhado cada vez mais importância é ter curiosidade e coragem para experimentar, especialmente em uma época em que a tecnologia evolui com velocidade.
“É preciso haver espaço para o erro, pois é nele que está o tesouro das lições aprendidas”, destaca Antonia Jackson, parceira de aprendizagem e tecnologia da HubSpot.
E parte dessa experimentação requer submeter seus sistemas e ferramentas a testes de pressão. Carlo José, chefe global de T&D da GSK, indica que os projetos-piloto são o melhor momento para desafiar o sistema:
“É melhor quebrar nas fases de teste para entender onde é possível evoluir”.
Esse princípio também entra em cena na própria aprendizagem. Novas ferramentas de IA, como o Degreed Maestro, possibilitam que os usuários pratiquem, recebam feedback e até fracassem em novas habilidades, como a condução de apresentações, pitches de vendas ou interações sobre assuntos importantes. Com a IA, os aprendizes podem fazer tudo isso sem julgamentos.
A TEKSystems, por exemplo, usou o Maestro para oferecer oportunidades personalizadas de prática para suas equipes de vendas com velocidade e escalabilidade. Veja alguns comentários recebidos:
“As pessoas ficaram mais autoconfiantes”, notou Stefanie Kuehn, gerente sênior do programa de desenvolvimento organizacional da TEKSytems. “Elas puderam participar de simulações em um ambiente seguro, sem a presença inibitória de um líder ou mentor. Além disso, foi possível usar as experiências Maestro várias vezes, até se sentirem confortáveis para assumir a missão ou testar as habilidades no mundo real.”

A principal mensagem que sempre fica disso tudo? Sozinha, a tecnologia não é suficiente para fazer a revolução da IA. Você pode ter todas as ferramentas de IA do mundo, mas o ROI só virá se a força de trabalho for capacitada.
“A questão é sempre as pessoas e como elas usam a tecnologia em prol dos negócios”, resumiu Ingrid Urman, diretora global de T&D da Tenaris.

As empresas não estão percebendo o ROI da IA porque, embora tenham as ferramentas, elas ainda não focaram no upskilling das pessoas. Se a sua expectativa é de que os colaboradores produzam mais em um determinado período durante esta Era da Intensificação, é preciso dar a eles a autonomia para serem proficientes e efetivos no uso dessas ferramentas.
Este, sim, é o verdadeiro trabalho por trás da revolução: capacitar as pessoas para atender ambições tecnológicas.
Os insights apresentados no LENS indicam o que vem por aí, mas, no meio disso tudo, é fundamental que nos lembremos do nosso papel como seres humanos em dar forma a esse futuro.
“Encontre o seu diferencial”, aconselha Rashidi. “Mantenha sua criatividade, faça as conexões que a máquina não consegue fazer e responsabilize-se pela sua organização. É sua responsabilidade moral”.
A tecnologia vai continuar acelerando, e as expectativas não vão parar de aumentar. A transformação humana é o que determina se as empresas avançarão ou não.
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