
Como resultado da revolução da IA no mercado de trabalho, as lideranças organizacionais querem que as equipes de aprendizagem, gestão de talentos e RH intensifiquem o desenvolvimento de habilidades e acelerem o ROI, mas com orçamentos mais enxutos, em menos tempo e com equipes menores. A ideia é “fazer mais com menos”, já que, agora, há uma ferramenta que, teoricamente, ajuda a dar conta do recado: a IA.
Eis aqui o paradoxo da eficiência da aprendizagem: a expectativa é de que a IA gere mais eficiência e produtividade, mas os colaboradores precisam saber usá-la. Se não souberem, pode ser que essa inovação não resulte em nenhum benefício. E ainda pode acabar se tornando um belo obstáculo.
As empresas ainda não estão percebendo o retorno de seus investimentos em IA. Sabe por quê? Porque velocidade não é tudo. A IA é rápida, sim, mas essa velocidade sacrificará pessoas, processos e inovações genuínas se não repensarmos nossa forma de trabalhar e de aprender. Sem orientação e intencionalidade, a força de trabalho pode ficar sobrecarregada, os processos podem afundar no caos, e a “inovação” fica limitada aos conhecimentos e ideias commoditizados que a IA tem a oferecer.
As tensões entre escala e solidez, velocidade e profundidade, atividade e impacto, estão provocando um verdadeiro alvoroço no mercado. Não basta criar e concluir treinamentos com rapidez; afinal, as pessoas precisam absorver e aplicar os conhecimentos de maneira eficaz.
Chegou a hora de redefinir o que é eficiência de um jeito que seja sustentável para o sucesso no longo prazo. Na maioria das organizações, as iniciativas de adoção da IA têm como foco a velocidade e a produtividade acima de tudo. O problema é que essa postura tende ao fracasso, pois as pessoas não terão fôlego para manter esse ritmo frenético.
Eficiência não tem a ver só com aceleração, mas com fazer as coisas com mais qualidade. E tudo começa pelas pessoas, não pela tecnologia.
A revolução da IA pode soar como uma questão tecnológica, mas ela também está relacionada às pessoas. Embora a expectativa seja de que a IA turbine a eficiência, muitas organizações ainda não estão colhendo seus frutos: quase 95% das empresas não tiveram nenhum retorno de seus investimentos em IAs internas, e apenas 15% dos usuários de IA generativa relatam que suas organizações perceberam um ROI expressivo com a nova tecnologia.
Talvez seja compreensível a tendência de classificar essa falta de progresso como um problema tecnológico, o que leva as empresas a continuar direcionando orçamentos para iniciativas de IA. Depois que 85% das lideranças empresariais aumentaram os investimentos em IA no último ano, nove de cada dez líderes ainda preveem gastar mais com IA generativa no próximo ano, segundo a Knowledge at Wharton (88%) e a Deloitte (91%).
Apesar do salto nos investimentos nessa tecnologia, o The Federal Reserve Bank of St. Louis relatou que, no último ano, o uso da IA no ambiente de trabalho teve um crescimento irrisório: de 33% em 2024 para 37,5% em 2025. Nessa mesma toada, um relatório internacional da PwC informa que 14% dos participantes de uma pesquisa utilizam ferramentas de IA generativa todos os dias, em comparação a apenas 12% em 2024. Percebe-se, então, que o aumento no uso ainda não condiz com os vultosos investimentos nessas iniciativas.
Resultado: para reconhecer o grande valor que a IA promete oferecer, os colaboradores precisarão aprimorar suas habilidades em menos tempo e com mais eficácia, já que a quantidade de habilidades e a velocidade de aprendizagem necessárias não param de aumentar. Para isso, as empresas precisam investir no lado humano da revolução da IA. Afinal de contas, as iniciativas de IA precisam ser eficazes para os profissionais que usarão as ferramentas para inovar, criar novas formas de trabalhar e, fundamentalmente, promover a expansão dos negócios.
Embora a IA seja certamente a catalisadora da urgência de mudança que vem pressionando as empresas, ela também contribui para a solução. Eis aqui o outro lado do paradoxo.
Sabe como?
Quando utilizados de maneira correta, os recursos da IA abrem as portas para dar vazão a um potencial inexplorado. Eles permitem que o desenvolvimento de habilidades aconteça com agilidade e de forma minuciosa, do jeito ideal para que as pessoas consigam acompanhar a evolução da IA. É preciso ter eficiência na aprendizagem. Acervos de conteúdos educativos estáticos e desenvolvimento autodidata deixarão de gerar os resultados esperados, pois a IA viabiliza oportunidades de personalização, interatividade e inovação.
Quando os colaboradores têm acesso a conteúdos relevantes para o que precisam, ninguém perde tempo procurando os materiais certos. A IA pode utilizar dados de habilidades e os fundamentos da ciência da aprendizagem para garantir que os conteúdos sejam sempre pertinentes à função e ao nível de habilidade de cada aprendiz.
Com a IA, os conteúdos ganham uma responsividade inédita, indo além da personalização: é possível praticar interações importantes que acontecem no mundo real e receber feedback imediato. Com isso, a aprendizagem nunca foi tão eficaz em sedimentar as capacidades dos aprendizes.
A inovação acontece de muitas formas, e a IA tem um enorme potencial para promover melhorias criativas em processos que já existem. Segundo a McKinsey, metade dos colaboradores que apresentam alto desempenho no uso da IA esperam utilizar esse tipo de ferramenta para transformar suas empresas, principalmente quando o assunto é redefinição de fluxos de trabalho. Repensar processos e procedimentos tradicionais pode ser o segredo para as organizações conquistarem mais eficiência, quando as pessoas e a IA estiverem trabalhando de mãos dadas.
O paradoxo da eficiência da aprendizagem é tanto uma oportunidade quanto um novo desafio. Aproveite para se aprofundar com debates de especialistas sobre como resolvê-lo no Degreed LENS 2026, que acontecerá em Orlando, na Flórida. Com uma programação recheada de workshops, mesas-redondas e palestras, você sairá de lá com muitos insights e contato com os melhores profissionais do mercado.
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