
A aprendizagem vai muito além da quantidade de conteúdos que as pessoas consomem. O importante mesmo é o que cada aprendiz consegue fazer com os conhecimentos que adquire.
Mesmo assim, as métricas de T&D que as empresas mais monitoram concentram-se na exposição, no consumo e nas conclusões de conteúdos: frequência em aulas, términos de programas, preenchimento de requisitos.
O desenvolvimento de verdade não nasce da leitura rápida de uma apresentação nem da participação em um único workshop. Ele acontece quando há aplicação, prática, feedback e repetição. Em outras palavras, as pessoas se desenvolvem quando experimentam, refletem, se adaptam e se propõem a fazer tudo de novo.
E é justamente aí que os gestores entram em cena.
Esses profissionais ocupam uma posição privilegiada para transformar a aprendizagem em desenvolvimento ao criarem o ambiente ideal para testar a aplicação de novas habilidades. Eles geram oportunidades de prática e experimentação, além de poderem liderar pelo exemplo.
Isso sempre foi verdade. O que está mudando é a velocidade e a eficácia que os gestores podem alcançar no desenvolvimento de habilidades com a IA.
Mas, antes, vale a pena parar para pensar: por que a aprendizagem por vivência e a prática são tão importantes?
No início da minha vida profissional, liderei a equipe de treinamento comercial da Cabela’s, varejista do setor de esportes de aventura e atividades ao ar livre. Lá, a aprendizagem precisava ser prática e por vivência. Afinal, mais do que conhecer os produtos oferecidos, os colaboradores precisavam saber usá-los em demonstrações de fly fishing, concursos culinários com panelas de ferro fundido e montagem de barracas de camping, por exemplo. Eles precisavam saber usar os produtos de verdade.
Os clientes esperavam que os colaboradores fossem especialistas nos produtos vendidos, e o sucesso da empresa dependia disso. Esperava-se que os vendedores soubessem usar os produtos por experiência própria. Esses eventos e demonstrações nos ajudavam a ter experiências reais com os produtos que vendíamos. Praticávamos nossas habilidades em tempo real. O processo de aprendizagem era prático, social e… divertido. E o melhor: funcionava!
Esse mesmo princípio se aplica ao mercado atual, mesmo quando grande parte do trabalho acontece de forma virtual. As pessoas aprendem melhor quando colocam habilidades em prática em condições semelhantes à realidade.
Prática é prática, independentemente de como aconteça. Na Cabela’s, aprendíamos tentando usar os produtos, mas de um jeito gamificado, sempre junto com os colegas. A aprendizagem não acontecia com alguma venda importante em risco.
A prática em ambientes seguros e de baixo risco fortalece a autoconfiança, a repetição cria memória muscular, e o feedback acelera o aperfeiçoamento. Nisso tudo, cabe ao gestor orientar a equipe, ajudando cada integrante a aprimorar habilidades e a estar a postos para brilhar nos momentos importantes.
As organizações podem indicar aos colaboradores conteúdos, ferramentas e até as áreas em que o upskilling deve se concentrar, mas são os gestores que estão na linha de frente para fortalecer uma cultura de desenvolvimento e criar oportunidades de colocar habilidades em prática. Os gestores sabem quem está se esforçando e pode experimentar algo novo em uma próxima apresentação ou pode aplicar um conhecimento recém-adquirido de IA em um determinado projeto.
Os gestores têm quatro responsabilidades importantes para a alavancagem do desenvolvimento:
Mas até os melhores líderes encaram limitações, sendo o tempo a maior delas. As agendas vivem lotadas, e o coaching é reativo em vez de proativo, o que faz com que o desenvolvimento bambeie.
Nesse ponto, as experiências de aprendizagem com IA mudam o jogo.
Ninguém quer testar uma nova habilidade pela primeira vez na frente de um cliente ou stakeholder importante para não perder uma venda, abalar um relacionamento ou manchar a credibilidade.
Em momentos decisivos, “aprender na prática” é um luxo que muitas equipes não têm.
É por isso que a prática é importante, e os gestores não podem dar sorte ao azar quando o assunto é desenvolvimento. E, nesse ponto, os métodos tradicionais de aprendizagem acabam dificultando as coisas por complicar cada etapa: a pesquisa do conteúdo certo, a espera pelo feedback ou a tentativa de encontrar um momento seguro para aplicar a nova habilidade. Tudo isso desperdiça um tempo que já é escasso. E, quando não há tempo, a prática é a primeira coisa a ser sacrificada.
A IA muda tudo.
Com a IA, os gestores mudam a aprendizagem antes que o risco se concretize. Afinal, a IA encurta os ciclos de feedback, personaliza a prática e permite que as pessoas ensaiem em ambientes realistas e de baixo risco, respeitando o ritmo e o contexto de cada um e preparando todos para a hora de aplicar as habilidades.
Listamos a seguir algumas formas como os gestores podem aproveitar a IA na prática:
Se você quer que sua equipe pratique usando a IA, facilite as coisas. Defina padrões claros e lance mão de ambientes replicáveis, como agentes de IA personalizados, fluxos de IA ou até mesmo um prompt compartilhado. Depois, incentive a equipe a sempre compartilhar o quanto antes sucessos com os colegas. Com isso, todos trabalham com mais agilidade e, em um mundo ideal, continuam seguindo o processo.
As IAs não são criadas da mesma forma. E aqui é fundamental usar a IA certa. As ferramentas mais eficazes combinam dados de habilidades, conhecimentos internos da empresa, adaptabilidade e princípios contextuais da ciência da aprendizagem. As equipes devem poder usar as ferramentas de IA para praticar novas habilidades de imediato, em contextos próprios, obedecendo ao nível correto de expertise e falando a mesma língua. Essa velocidade e a adequação às condições se converterão diretamente em autoconfiança, preparo e desempenho.
Ainda cabe aos gestores definirem o tom das operações. Use a IA por conta própria para descobrir o que funciona (ou não), convide a equipe para se aperfeiçoar no uso e recompense a descoberta de ideias novas e melhores, explorando as possibilidades em conjunto. A naturalização da experimentação acelera a aprendizagem. E quando as prioridades mudam ― algo que inevitavelmente vai acontecer ―, as equipes que sabem aprender dão conta de acompanhar as mudanças.
Eu tenho a sorte de ter à mão ferramentas como o Degreed Maestro para criar simulações realistas, como interações de vendas, objeções, diálogos de liderança e cenários de consultoria que minha equipe pode usar para praticar quantas vezes quiser. E o benefício é imenso: cada um recebe feedback sobre como se saiu, dispensando a minha presença em cada sessão. Minha maior limitação como líder é ter a agenda cheia, mas isso não precisa atrapalhar o desenvolvimento da minha equipe. Com essa ferramenta, os ciclos de feedback deixam de levar semanas e meses para serem concluídos em poucos dias ou horas.
Os gestores também precisam acompanhar o aprimoramento das equipes, e a IA pode ajudá-los a ensaiar interações importantes, refinar a comunicação e oferecer coaching com mais direcionamento a partir de insights baseados em dados.
Com os dados certos e a orientação facilitada pela IA, os gestores conseguem se concentrar no que mais importa: desenvolver os colaboradores em prol do avanço da organização. Essa também é uma das maneiras mais rápidas de acelerar o crescimento profissional individual.
A IA não substitui a aprendizagem nem a liderança. Ela as amplifica.
Quando os gestores usam a IA para ampliar a prática, personalizar o feedback e celebrar a aprendizagem em ação, o desenvolvimento passa a fazer parte do dia a dia de trabalho: as equipes ganham agilidade, os colaboradores ficam mais autoconfiantes, e a aprendizagem deixa de ser um mero consumo para se tornar uma ação.
Esse grau de transformação começa pelos gestores e contagia as equipes.
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