

Segundo o especialista Josh Bersin, as academias são “o próximo grande passo da educação corporativa”. Há um motivo para isso: Bom, as academias prometem ser uma solução para gerenciar e sanar as lacunas de habilidades que não param de crescer.
Dito isso, todo líder de T&D e RH que se preocupa com a escassez de talentos deveria dedicar um pouco de tempo e energia para se informar sobre as academias e como adotá-las para sanar as lacunas de habilidades.
Seja para quem está montando uma academia na empresa ou para quem só ouviu falar sobre esse recurso no mundo do T&D e RH, este artigo explica tudo sobre o desenvolvimento de talentos baseado em turmas: desde noções básicas, como definições e possíveis aplicações, até pontos mais práticos que ajudarão você a montar ou aprimorar as academias da sua empresa.

Sumário
- O que são as academias?
- Quais são os principais problemas que as academias resolvem?
- Por que as academias são uma boa solução para o upskilling profundo?
- Quem pode (e deve) montar academias?
- Quais são alguns dos benefícios da oferta de academias?
- Dicas básicas para montar uma academia na sua empresa
O que são as academias?
Uma academia de aprendizagem é um espaço colaborativo onde os colaboradores desenvolvem habilidades profundas alinhadas às necessidades da empresa.
Você já deve ter ouvido falar sobre as academias de aprendizagem. Essa ideia apareceu no radar dos líderes de RH e T&D há alguns anos, quando Bersin usou o termo para descrever “uma tendência em ascensão no campo do T&D”.

Embora essa ideia não seja nova, ela abre espaço para um “novo tipo de plataforma” no mercado das tecnologias de aprendizagem. Inclusive, essas plataformas são tão novas que a nomenclatura “academias de aprendizagem” ainda nem pegou direito. A palavra “academias” sempre aparece, mas, dependendo de quem a usa, ela pode vir acompanhada por algumas outras: academias de aprendizagem, academias de capacidades, academias de treinamento, academias de habilidades ou academias de talentos. Independentemente do termo completo, o conceito básico — isto é, “um espaço colaborativo onde os colaboradores desenvolvem habilidades alinhadas às necessidades da empresa” — permanece o mesmo.
Certo, chega desse papo de semântica. Vejamos agora por que as academias são tão importantes.
Quais são os principais problemas que as academias resolvem?
Não se deixe enganar pela simplicidade da definição das academias de aprendizagem: um espaço colaborativo onde os colaboradores desenvolvem habilidades alinhadas às necessidades da empresa. Essa definição chacoalha o mercado atual de tecnologias de aprendizagem ao focar em dois problemas cruciais:
- A crescente lacuna de habilidade e a crise de escassez de talentos
- O descompasso entre os objetivos do T&D e das empresas
Essas duas questões perturbam o sono dos líderes de T&D há anos, mas finalmente chegou uma solução promissora ao cenário EdTech.

Problema 1: a crescente lacuna de habilidade e a crise de escassez de talentos.
Mesmo antes da revolução da IA generativa, o Fórum Econômico Mundial previu, em 2020, que até 2025 o ritmo implacável dos avanços tecnológicos eliminaria 85 milhões de vagas, criaria 97 milhões de postos de trabalho e demandaria que metade de todos os profissionais passassem por reskilling.
A McKinsey & Company já indica que, conforme o previsto, 87% das empresas estão enfrentando uma escassez de talentos. Contudo, a diminuição da oferta de habilidades está acontecendo mesmo que as lideranças empresariais estejam trabalhando muito para sanar a lacuna de habilidades. As empresas gastaram caminhões de dinheiro para resolver o problema nos últimos dez anos.
Em 2010, as empresas gastaram 271 bilhões em treinamentos corporativos em todo o mundo, e esse gasto cresceu 37% em dez anos. Segundo a Training Industry, as empresas gastarão em 2020 impressionantes US$ 357 bilhões em programas de T&D. Se considerarmos apenas os Estados Unidos, os gastos com treinamentos ultrapassou a marca de US$ 100 bilhões no biênio 2021-2022.
O que as empresas têm a mostrar com esses gastos astronômicos? Pouca coisa, para falar a verdade. Mesmo com gastos bilionários, a porcentagem de CEOs preocupados com a disponibilidade de habilidades só aumentou — e a um ritmo mais acelerado do que os gastos das empresas: cresceu de 53% em 2012 para 79% em 2019. E, com a chegada da IA generativa, será que essa porcentagem não subiu ainda mais?
Ficou claro que as soluções de aprendizagem com as quais as empresas gastaram bilhões na última década não resolveram as lacunas de habilidades. Mas, calma! Agora existe uma solução viável para manter sua empresa repleta de talentos.
Solução: como as academias mantêm sua empresa repleta de talentos.
As academias têm um longo histórico de sucesso quando o assunto é desenvolvimento e disponibilização de talentos internos. Um exemplo famoso vem da General Electric: após desenvolver habilidades na academia física da empresa na década de 1950, Reginald Jones conquistou o cargo de CEO da GE.
Bersin também enaltece sua experiência na antiga academia da IBM, nos idos da década de 1980:
“Tínhamos uma academia de vendas imbatível. Passei anos em treinamentos de vendas e aprendi mais sobre clientes, práticas de vendas e produtos do que em qualquer outra época da minha vida. Meu filho acabou de completar um ano na academia de vendas da SAP, onde formou as bases para uma carreira incrível.”
— Josh Bersin
Então, historicamente, as academias são um sucesso. Embora as academias da GE e da IBM fossem físicas, as empresas de hoje podem continuar cultivando talentos com base nos mesmos princípios, mas utilizando tecnologia de ponta. E elas continuam sendo um sucesso. Bersin identifica algumas dessas versões que dão certo nos dias de hoje:
- Comcast, academia de atendimento ao cliente
- Comex, academia de cadeia de suprimentos e academia de segurança
- Visa, academia de capacidades de FinTech
- Capital One, academia de nuvem, digital e cibersegurança
- Ford, academia de veículos autônomos
Problema 2: o descompasso entre os objetivos do T&D e das empresas.
Junto com o alargamento da lacuna de habilidades, outra dificuldade que assola as lideranças de RH e T&D é a falta de alinhamento entre as iniciativas de aprendizagem e os objetivos das empresas. Dada a infinidade de opções educativas oferecidas por podcasts, conferências, livros e bootcamps, não é raro que colaboradores bem-intencionados gastem benefícios destinados à aprendizagem em habilidades que não estão ligadas às necessidades da empresa.
Por exemplo, colaboradores que usam uma das diversas plataformas de aprendizagem autônoma costumam tomar decisões de aprendizagem com pouca ou nenhuma orientação da alta administração. Em um artigo sobre academias publicado na Training Industry, Yael Gilbo Kaufmann, cofundador da Learn In, observa que “a aprendizagem autônoma requer que os colaboradores façam muitas suposições quando eles se perguntam, por exemplo, se ganharão importância na empresa se lerem um determinado artigo ou assistirem a um vídeo sobre análises de dados”.
Até onde vai esse alinhamento, afinal? No Estudo de Estratégia de Aprendizagem de 2020 publicado pelo Brandon Hall Group, quase toda empresa (87%) aponta para a necessidade de alinhar a aprendizagem a objetivos, mas apenas 13% delas afirmam que conseguem fazer isso. Que estatística fantástica!
É óbvio que, antes de começarem a investir em upskilling, as empresas precisam de uma solução de aprendizagem que realinhe objetivos de aprendizagem a objetivos de negócios.
Solução: como as academias promovem objetivos de negócios.
Para alinhar o upskilling aos objetivos da empresa, as academias devem servir de elo entre plataformas de aprendizagem, dados e pessoas (por exemplo, outros departamentos, alta administração, gestores e colaboradores).
As academias corporativas surgiram nos Estados Unidos no século XX, quando o presidente da GE, Ralph Cordiner, comprou um terreno no meado da década de 1950 e construiu uma universidade para desenvolver gestores. Como é de se esperar, e com tantos custos para se manter academias físicas, a liderança das antigas insistia em ter o protagonismo na formulação de currículos e objetivos.
As academias modernas dão continuidade a essa tradição. Bersin explica que as academias “deve ser conduzidas por um líder de negócio, não por um profissional de T&D”. Segundo ele, o comando das academias deve estar nas mãos do CIO, do CEO ou do CFO, por exemplo.
Contudo, a liderança da alta administração nas academias não garante o alinhamento. Hoje, as academias modernas lançam mão da tecnologia, como as integrações, para agilizar e facilitar a comunicação entre softwares, acessar dados de habilidades e interconectar todas as pessoas que fazem parte da empresa. Com muito mais facilidade e eficácia do que no passado, a liderança agora consegue oferecer perspectivas inspiradoras e excepcionais sobre as habilidades necessárias e ajuda a traçar trilhas capazes de atender a essas necessidades.
Por que as academias são uma boa solução para o upskilling profundo?

Com os gastos bilionários dos últimos dez anos que mencionamos acima, muitas soluções mais tradicionais de aprendizagem tentaram usar o próprio software para sanar as lacunas de habilidades. Bom, não funcionou. Então, por que as academias darão conta do recado?
Quem monta academias sabe que o upskilling profundo é uma necessidade crítica distinta de treinamentos ou da aprendizagem do dia a dia. O upskilling profundo demanda outras estratégias pedagógicas, com uma experiência de aprendizagem mais rica, mais intensiva e por um período mais longo. Para isso, as academias focam em uma metodologia que promove a aprendizagem de habilidades mais complexas e mais críticas, respaldando o desenvolvimento que viabilizará avanços na carreira.
Três estratégias de aprendizagem permitem que as academias sedimentem o desenvolvimento profundo de habilidades:
- Aprendizagem colaborativa
- Planos de carreira e mapeamento de habilidades
- Aplicação prática e feedback

Aprendizagem colaborativa
O espírito das academias é a colaboração. Especificamente, trata-se de uma classe de métodos educativos baseados nos modelos tradicionais presenciais de aprendizagem colaborativa, que costumam acontecer em grupos ou turmas. Afinal, a aprendizagem híbrida é, há muito tempo, considerada um dos modelos mais eficazes para o ensino de assuntos de alto impacto. A dinâmica social da aprendizagem colaborativa e com especialistas contextualiza, enseja discussões e oferece oportunidades de coaching e feedback.
Em uma época em que a IA generativa está revolucionando o mundo das habilidades, as pessoas precisam sanar as lacunas da aprendizagem mais profundas acerca de habilidades mais complexas ou centradas no ser humano, como pensamento crítico, capacidade de tomar decisões com mais eficácia, comunicação e solução de problemas. Portanto, todo mundo sai ganhando no desenvolvimento de qualquer habilidade profunda que demande dos colaboradores a articulação de habilidades interpessoais e de comunicação.
Planos de carreira e mapeamento de habilidades
As academias são para quem pensa grande. Nenhuma carreira tem como base uma única habilidade, pois o caminho é trilhado a partir de um conjunto de habilidades que se complementam. É bastante comum que programas educativos tradicionais se concentrem no ensino de uma habilidade específica ou, se o colaborador de fato aprender um conjunto de habilidades, elas não necessariamente estão relacionadas a um plano de carreira claro.
As academias usam uma infraestrutura que vai além de “uma” habilidade e foca no desenvolvimento de uma carreira. Com a academia certa, os participantes conseguem identificar um plano de carreira e se basear no programa proposto para extrair as habilidades necessárias para chegarem aonde quiserem.
Aplicação prática e feedback
A prática é um elemento fundamental para a construção de qualquer carreira. Muitas soluções ainda têm como foco o conhecimento puro, sem uma proposta de aplicação do que se aprende. É por isso que vira e mexe esbarramos em alguém que talvez saiba tudo sobre nutrição e musculação, mas não tem nenhuma experiência prática. Para se especializar e desenvolver habilidades profundas que vão além do conhecimento, essa pessoa precisa frequentar a academia com regularidade, levantar peso e manter uma alimentação balanceada. Ela precisa praticar e aperfeiçoar suas habilidades.
Para desenvolver habilidades tangíveis, as academias dão oportunidade para que os colaboradores adicionem à equação da aprendizagem práticas individuais e em equipe. Para aprimorar e reforçar essa experiência, as academias usam coaching, feedback de colegas e de especialistas, e avaliações.
Quem pode (e deve) montar academias?
Gostou das academias e quer montar uma na sua empresa? Você está com sorte! Agora, mais do que nunca, qualquer empresa, independentemente do porte ou setor, pode montar suas próprias academias.
A lista de empresas que já fizeram isso traz a nata do mundo dos negócios: Google, AT&T, Amazon, Microsoft, GE e muitas outras. Embora há 70 anos só as empresas mais ricas pudessem bancar essas instituições caras e demandantes, hoje basta contar com a plataforma de tecnologia certa.
A tecnologia democratizou as academias para todas as empresas. Portanto, não se intimide e inspire-se nos grandes nomes que já usam esse recurso e adote as academias na sua empresa. Você pode (e deve) fazer isso, pois o processo é acessível e viável.
Quais são alguns dos benefícios da oferta de academias?
É essencial manter um quadro de talentos bem recheado na sua empresa, mas academias internas também trazem outros benefícios, tais como:
- Redução de custos
- Elevação das taxas de retenção e engajamento
- Agilidade no desenvolvimento de habilidades futuras

Redução de custos
A montagem de academias internas gera duas possibilidades de redução de custos. Em primeiro lugar, ao montar uma academia interna, sua empresa deixa de gastar o dinheiro que pagaria uma agência externa de desenvolvimento de talentos, um serviço bem caro, diga-se de passagem. Além dos honorários iniciais, a agência pode cobrar a mais para personalizar conteúdos padronizados, a fim de alinhá-los aos objetivos da sua empresa.
Depois, especialmente com a atual escassez de talentos, fica mais barato fazer o upskilling dos colaboradores do que contratar novos talentos. Um whitepaper da General Assembly avaliou, por exemplo, que a contratação de um engenheiro de software pleno pode custar cerca de US$ 30 mil, considerando taxas de recrutamento, publicação de vagas, entre outras despesas. (Esse valor não inclui os custos de onboarding, ok?) O whitepaper também estima que “o custo para treinar e fazer reskilling de um colaborador interno pode ser de US$ 20 mil”. Embora a diferença pareça pouca à primeira vista, a economia para a empresa pode ser de “cerca de US$ 116 mil por pessoa ao longo de três anos”.

Elevação das taxas de retenção e engajamento
Segundo uma pesquisa da PEW, a maioria dos profissionais (63%) pediu demissão em 2021 por baixa remuneração ou falta de oportunidades de crescimento profissional. Muitas plataformas de aprendizagem mencionarão essa estatística para mostrar como os colaboradores valorizam a aprendizagem. Mas é bom observar que não se trata de uma estatística sobre aprendizagem, mas sim sobre crescimento profissional. E o que possibilita o crescimento profissional? A aquisição de novas habilidades. Portanto, além de gerar economia, a montagem de academias internas também fortalece a retenção de talentos.

Agilidade no desenvolvimento de habilidades futuras
É importante sanar lacunas de habilidades, mas outras surgirão com o tempo. “De muitas maneiras, a tecnologia e a IA estão evoluindo a um ritmo mais acelerado do que a vida real”, explica Andy Bird, CEO da Pearson. “Estamos lutando para não ficar para trás, por isso, precisamos sempre cuidar do nosso reskilling e do nosso upskilling, seja no âmbito pessoal ou empresarial”, complementa.
Segundo Bird, o futuro é um mistério. Você não sabe quais habilidades precisará ter daqui a dez anos, mas sabe da importância do upskilling e do reskilling constantes. As academias podem ajudar você a reconhecer e a sanar novas lacunas de habilidades assim que surgirem. Após a montagem de uma ou duas academias, sua empresa pode estruturar um sistema que funcionará para o contexto de vocês, agregando novas academias conforme for necessário.
Dicas básicas para montar uma academia na sua empresa
Como líderes de T&D que contam com poucos recursos podem montar as academias de desenvolvimento de talentos com a flexibilidade que a força de trabalho precisa? O processo não é tão assustador quanto parece. Um mix de recursos bem empregados dá conta do recado. Confira alguns passos iniciais:
Passo 1: encare cada desafio com a solução adequada. Avalie se o problema demanda aprendizagem, treinamento ou desenvolvimento de habilidades. A partir daí, use as ferramentas certas para atender a essas necessidades críticas de aprendizagem. Podemos dividir o desenvolvimento de habilidades em três grandes áreas:
- Treinamento para ensinar habilidades e processos específicos.
- Aprendizagem mais focada em aquisição de conhecimento e estímulo da curiosidade.
- Desenvolvimento que prepara os colaboradores para avançar na organização.
Essa estrutura pode ajudar você a diferenciar as possíveis necessidades da sua empresa e trazer clareza sobre como avançar.
Passo 2: disponibilize tempo para o upskilling. A oferta de tempo para o desenvolvimento da força de trabalho é bem simples. Apenas 34% dos colaboradores estão dispostos a organizar a própria agenda para se dedicar ao upskilling, enquanto 71% aproveitariam a chance se o upskilling fosse pago, e 64%, se a empresa disponibilizasse tempo para isso.
Passo 3: estimule a aprendizagem em turmas. Mais de 90% dos colaboradores e profissionais de RH entrevistados pela Randstad afirmam que iniciativas de desenvolvimento de habilidades seriam mais eficazes com orientação e suporte. Turmas formadas pela empresa proporcionam apoio e senso de responsabilidade, além de facilitar a integração entre os treinamentos.
Passo 4: envolva toda a empresa. É importante elaborar um caso de negócios para as academias. Quando toda a empresa reconhece a necessidade de desenvolver talentos para aumentar a competitividade e conquistar o mercado, todos se sentem motivados e apoiam a iniciativa.
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Um jeito atual de alinhar o upskilling profundo a objetivos de negócios
Em uma época em que as habilidades mudam a uma velocidade inédita, cabe às empresas aproveitar as oportunidades — e com agilidade. Não dá para perder tempo tentando solucionar lacunas de habilidades sem precedentes com as ferramentas que a sua empresa usa há dez anos. Vocês precisam de uma solução que cumpra o que promete. Além de proporcionar upskilling, as academias são acessíveis e conseguem alinhar o aprimoramento de habilidades às necessidades da empresa.
Seja qual for o objetivo, saiba que é possível montar sua própria academia com clipes de papel, fita adesiva e cadarços, ou comprando uma boa plataforma de academia. O importante é fazer acontecer!

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